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Letícia Asfora Falabella Leme  | 
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Por trás do silêncio avassalador em relação a uma figura histórica, sobretudo uma mulher, o que se encontra nos arquivos é o clamor da batalha. Como afirmou Michel Foucault: uma multiplicidade de vozes, discursos e enunciados que constroem imagens historicamente circunscritas. Artista moderna e dis
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Por trás do silêncio avassalador em relação a uma figura histórica, sobretudo uma mulher, o que se encontra nos arquivos é o clamor da batalha. Como afirmou Michel Foucault: uma multiplicidade de vozes, discursos e enunciados que constroem imagens historicamente circunscritas. Artista moderna e dis
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Por trás do silêncio avassalador em relação a uma figura histórica, sobretudo uma mulher, o que se encontra nos arquivos é o clamor da batalha. Como afirmou Michel Foucault: uma multiplicidade de vozes, discursos e enunciados que constroem imagens historicamente circunscritas.
Artista moderna e disruptiva, a francesa Marie Laurencin foi uma pintora vanguardista encoberta por estereótipos de gênero, engessada na imagem de musa feminina que pintava em tons pastéis. A pesquisa aprofundada e vibrante de Letícia Leme percorre os sentidos de sua recepção no Brasil, numa viagem além-mar profundamente reveladora do caráter misógino da crítica de arte nos anos modernos de 1940 e 1950.
Depois de décadas de esquecimento, Laurencin hoje é redescoberta. Em sua época, fora imensamente comentada, citada e referenciada pela elite jornalística brasileira como a mais “feminina” das vanguardas. Como foi possível tal apagamento? O trabalho de pesquisa aqui apresentado por Leme é uma contribuição central para os estudos de gênero na arte, fazendo emergir novas histórias feministas da arte, ao responder a essa questão sob um prisma cultural, sensível às dimensões raciais e sociais que a envolvem.
Luana Saturnino Tvardovskas - Profa. Livre Docente Unicamp