Literatura cheia de graça: comicidade na literatura brasileira modernista
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- Jacqueline Ramos
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- 170
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Com foco em obras literárias do modernismo brasileiro, além da pertinência, importa na comicidade analisada a aglutinação de diferentes tradições (e funções) do cômico. Momento em que aquele cômico moralizante tão presente no século XIX perde espaço para as narrativas de malandros (em que o herói com humor e ginga dribla as normas sociais) e para o cômico luciânico (que desmascara nossas verdades). Um coringa da linguagem, o cômico é paradoxalmente vislumbrado enquanto “transgressor legitimado”: sob sua pretensa capa de brincadeira, tem licença para dizer e pode desfazer qualquer relação – seja ética, lógica ou linguística –, propondo inusitadas perspectiva. É o que o estudo explora em clássicos como Macunaíma, Serafim Ponte Grande, O coronel e o lobisomem, A via crucis do corpo, Tutaméia etc.