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Rock e Satanismo: Memórias em tempos de dissociação
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Rock e Satanismo: Memórias em tempos de dissociação

Paulo Iumatti  | 

126

A lembrança é sempre montagem, já dizia Freud. Puro cinema. Talvez esse seja o modo possível de dar conta do satanismo. Cenas de animais assassinados no palco, de sangue jorrando, introduzindo um real obsceno e matando a possibilidade de representação. Freud, em 1920, conceituou a pulsão de morte,

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A lembrança é sempre montagem, já dizia Freud. Puro cinema. Talvez esse seja o modo possível de dar conta do satanismo. Cenas de animais assassinados no palco, de sangue jorrando, introduzindo um real obsceno e matando a possibilidade de representação. Freud, em 1920, conceituou a pulsão de morte,

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A lembrança é sempre montagem, já dizia Freud. Puro cinema. Talvez esse seja o modo possível de dar conta do satanismo. Cenas de animais assassinados no palco, de sangue jorrando, introduzindo um real obsceno e matando a possibilidade de representação.

Freud, em 1920, conceituou a pulsão de morte, tendência ao inanimado. Já a pulsão de vida era ligação, união. Mas não seria a pulsão de morte inerente a qualquer processo de criação? É preciso desligar, mergulhar em um desmanchamento para que o novo possa nascer.

Quando as sombras viram arte, as pulsões mortíferas ganham formas inusitadas, irrompendo no dia a dia monótono de todes nós. Porém, no Brasil de hoje, aponta Paulo Iumatti, elas estão inseridas em um contexto de fracasso histórico em construir instituições regidas pelo princípio da universalidade, “terreno fértil para o avanço da violência em suas mais diferentes manifestações, incluindo as milícias e o crime organizado”. Surgem então circuitos históricos demoníacos.

Aqui aparece uma importante análise política, absolutamente necessária.

                                            

                                             Do prefácio, de Miriam Chnaiderman

A lembrança é sempre montagem, já dizia Freud. Puro cinema. Talvez esse seja o modo possível de dar conta do satanismo. Cenas de animais assassinados no palco, de sangue jorrando, introduzindo um real obsceno e matando a possibilidade de representação.

Freud, em 1920, conceituou a pulsão de morte, tendência ao inanimado. Já a pulsão de vida era ligação, união. Mas não seria a pulsão de morte inerente a qualquer processo de criação? É preciso desligar, mergulhar em um desmanchamento para que o novo possa nascer.

Quando as sombras viram arte, as pulsões mortíferas ganham formas inusitadas, irrompendo no dia a dia monótono de todes nós. Porém, no Brasil de hoje, aponta Paulo Iumatti, elas estão inseridas em um contexto de fracasso histórico em construir instituições regidas pelo princípio da universalidade, “terreno fértil para o avanço da violência em suas mais diferentes manifestações, incluindo as milícias e o crime organizado”. Surgem então circuitos históricos demoníacos.

Aqui aparece uma importante análise política, absolutamente necessária.

                                            

                                             Do prefácio, de Miriam Chnaiderman